Modelos de Projeção

Modelos de Projeção

Com o apoio de nossa base de dados estruturada e dinâmica, foram desenvolvidos diversos modelos de projeção de petróleo, gás natural, arrecadações governamentais, infraestrutura e derivados. Os modelos contemplam oferta, demanda e infraestrutura e estão interligados garantindo uma análise ampla da cadeia e suas limitações e especificidades.

INTERCONEXÃO ENTRE OS MODELOS DE PROJEÇÃO

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MODELO EXPLORATÓRIO

A exploração é entendida como o principal indicador de continuidade da produção através de novas descobertas.

Esse modelo visa a identificação dos tempos mínimos de nova produção, assim como onde essa produção entrará e a que agente pertencerá. Os volumes em novas descobertas possuem um caráter mais especulativo, mas são estimados com base informações de mercado e analogias a comportamentos existentes.

A fim de identificar permitir a classificação dos blocos exploratórios de acordo com seu desempenho, desenvolvemos um indicador visando responder principalmente o tempo mínimo de nova produção.

Esse indicador foi denominado ISE (Índice de Sucesso Exploratório) e ele utiliza de forma ponderada parâmetros que são indicativos de uma potencial declaração de comercialidade do bloco:

  • O bloco está em PAD (Plano de Avaliação de Descobertas)? Esse status indica uma extensão do prazo exploratório e análise do consórcio das potenciais descobertas.
  • Quantos poços já foram perfurados no contrato atual? Poços exploratórios são indicadores essenciais para as análises de reservas;
  • Houve notificações de indícios de hidrocarbonetos? Se sim de que natureza: petróleo e/ou gás natural?
  • Qual a razão de poços com descobertas (indícios/poços)?
  • O consórcio do bloco já anunciou algum prospecto? Muitas das descobertas recebem uma nomenclatura provisória, as quais são anunciadas na imprensa;
  • Foram perfurados mais poços que o mínimo de leilão (PEM-Programa Exploratório Mínimo)? Poços são investimentos altos e, assim, o fato de haver mais que o mínimo exigido é um indicador importante para que exista declaração de comercialidade.

O cálculo do ISE se aplica a cada bloco, permitindo, assim, um ordenamento entre eles e uma identificação de quais tem maior potencial de declaração. Os resultados do ISE são, então, cruzados com os prazos exploratórios estabelecidos e, assim, tem-se a resposta de quando é o tempo mínimo de produção para esses blocos. Uma vez que as análises são feitas em cima de blocos e com a conexão da base, os mesmos resultados podem ser agrupados por players ou regiões.

MODELO DE OFERTA

A visão futura da oferta de gás natural no Brasil contempla tanto as perspectivas de produção nacional quanto as importações. É entendido como base que as importações são impactadas diretamente diante dos cenários de oferta nacional, podendo, até mesmo serem interrompidas.

Perspectivas de Produção Nacional

A produção de gás natural futura no Brasil ainda está bastante ligada a produção do petróleo, especialmente com o desenvolvimento do pré-sal. Contudo, ainda há outras formas de produção relevantes, que, embora de natureza diferente, são relevantes para a oferta. São elas: produção não associada, produção em terra.

Para a construção de nosso modelo de oferta, foram analisadas as seguintes variáveis:

  • Perfil das Curvas de Produção – qual o perfil esperado de começo da curta (início de produção do campo), patamar e taxas de declínio;
  • Uso das Plataformas – especialmente para campos de elevada produção, é considerada uma taxa de aproveitamento (uso da capacidade nomina) para cada unidade de produção;
  • Tipos de campo – dentro de nosso modelo, foram consideradas as diferenças entre as naturezas dos campos de produção como associados/não associados, pré-sal/pós-sal e terra/mar;
  • Novas Descobertas – esse item está ligado com o Modelo Exploratório, que permite proporcionar uma melhor noção de nova produção;
  • Durabilidade das Reservas – essa variável é de validação das curvas, entendendo que o perfil projetado precisa ter reservas o suficiente para formar a curva;
  • Relação Gás-Óleo (RGO/GOR) – variável essencial para a conversão da produção associada ao petróleo e gás natural. O perfil de GOR para campos futuros é feito com base em informações de mercado e analogias de proximidade dos campos existentes;
  • Perfil de Reinjeção – é uma variável com alto impacto no modelo, uma vez que os perfis de reinjeção podem mudar significativamente a produção disponível (enviada para processamento). Essa variável está atrelada a muitos fatores como priorização de produção de petróleo e limitações pela presença de CO2;
  • Perfil dos Campos Não Associados – a produção dos campos com reservas de gás natural tem suas curvas afetadas pela competição com o associado, necessidades do setor elétrico e limitações logísticas;

Perspectivas de Importação

Atualmente o Brasil possui importação de gás natural através de duas fontes: via gasoduto (GSA-Bolívia) e GNL.

As análises das perspectivas de importações são realizadas com base na construção de cenários, uma vez que ainda há incertezas quanto aos volumes de renovação contrato de fornecimento com a Bolívia, que termina em 2019.

O GNL é entendido com uma fonte de uso sazonal e contingencial, uma vez que se trata de uma alternativa de custo mais elevado.

Conforme comentado anteriormente, o uso das importações está intimamente ligado à capacidade e às limitações logísticas, tecnológicas e regulatórias da produção nacional.

MODELO DE INFRAESTRUTURA (OFERTA EFETIVA)

É de nosso entendimento, que a análise de oferta está intimamente ligada à infraestrutura, uma vez que suas limitações podem implicar na postergação ou mesmo redução das curvas de produção tanto no petróleo quanto do gás natural.

O modelo de oferta efetiva consiste em considerar essas limitações gerando uma nova curva de oferta. Como está focada em questões logísticas, essa análise considera a regionalização da produção, ou seja, os pontos e entrada e as características e limitações de capacidade das mesmas.

Dentro desse modelo são consideradas como limitações para a produção as etapas de:

Escoamento da produção – limitações atuais em dutos de escoamento de gás natural não processado. Embora seja entendido que exista limitações atuais nesses dutos, o modelo contempla possibilidade de ampliações previstas nos projetos iniciais.

Processamento – entendida como a principal variável limitante da produção. A capacidade de processamento quando aplicada de forma regional, mostra-se com elevados taxas de ocupação e, assim, como um importante gargalo à nova produção;

Transporte – embora as limitações de transporte são consideradas pela Lei do Gás como de “fácil” resolução, os trâmites e mesmo interesses de mercado podem acabar tornando o processo mais lento e, assim, tornando-a como um gargalo infraestrutura. Dessa forma, a identificação dos gargalos atuais de transporte pode impactar a oferta de gás natural dentro de regiões específicas, especialmente em curto e médio prazo.

MODELO DE DEMANDA

A modelagem da demanda é feita em cima de cenários considerando os potenciais de ampliação e perfis de uso. Contudo, é sempre entendida que existe uma relação entre demanda e a oferta e essa pode afetar diretamente a competitividade do consumo do gás natural.

Além da disponibilidade de oferta os fatores entendidos como diretamente ligados ao consumo são o crescimento econômico e a competitividade do gás natural diante dos combustíveis alternativos.

A rede de distribuição, embora, na teoria, seja uma necessidade da demanda, as diferentes maturidades nos mercados das distribuidoras podem gerar cenários mais lentos de investimentos em novas redes.

Essa relação também é afetada por outros fatores mais amplos e qualitativos como cultura e confiança no fornecimento de gás natural.

Tendo em vista todos esses fatores associados à demanda, nosso modelo de demanda visa a sensibilização da relação entre oferta e demanda com a criação de cenários.

O modelo de demanda considera a divisão abaixo e para cada um desses subgrupos são construídos cenários próprios:

Consumo não termoelétrico – sendo o consumo industrial como energético como o principal nessa categoria. As premissas consideram uma ligação direta com o crescimento do PIB industrial, sempre entendendo as diferenças e perfis regionais. Entre os outros setores, a cogeração é entendida como a com maior ligação ao consumo industrial, sendo integrada a ele.

Os demais setores possuem premissas mais conservadoras que o industrial, uma vez que são afetados por outras variáveis que vão além do crescimento econômico. Da mesma forma que para o industrial, as premissas para os demais consumos (GNV, residencial, comercial, etc.) também contemplam as diferenças regionais.

Consumo de autoprodução – as demandas de autoprodução, conforme a Lei do Gás, são as instalações da Petrobras de refino e fabricação de fertilizantes. O consumo nas refinarias tem alta flexibilidade, uma vez que o consumo do gás natural pode ser substituído por outros combustíveis. Essa flexibilização é uma decisão da Petrobras, dessa forma, para a previsão de consumo de gás natural para refino são construídos cenários de uso. No caso das Fábricas de Fertilizantes, o consumo é muito menos flexível.

Consumo termoelétrico – o perfil de consumo de gás natural para geração elétrico é a variável que garante oscilações mais bruscas e em menor tempo no consumo nacional. Seu uso está ligado diretamente às regras e necessidades do setor elétrico. Essa sazonalidade no consumo colocou o consumo termoelétrico no Brasil bastante atrelado a fontes flexíveis, que são as importações e campos não associados.

Dessa forma, dentro de nosso modelo de demanda termoelétrica, são considerados cenários de despacho e seus impactos analisados no balanço oferta e demanda. São consideradas em nosso modelo as diferenças de rendimento (ciclo fechado ou combinado) individuais de cada usina.

Novos Projetos – essa camada do modelo na verdade está distribuída nas demais categorias. Essa análise visa identificar quais os principais projetos que possam impactar a demanda futura, assim como a criação de um perfil de crescimento da capacidade instalada de usinas termoelétricas base gás natural nos próximos anos.